Honolulu Star Bulletin - Diretores de elenco finalmente serão reconhecidos no Oscar

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Diretores de elenco finalmente serão reconhecidos no Oscar
Diretores de elenco finalmente serão reconhecidos no Oscar / foto: Frederic J. Brown - AFP/Arquivos

Diretores de elenco finalmente serão reconhecidos no Oscar

Quando um filme prende o espectador, muitas vezes é graças à química entre os atores, um resultado que deve muito ao trabalho dos diretores de elenco. Esses profissionais, responsáveis por escolher quem dará vida aos personagens, finalmente serão reconhecidos pela Academia com sua própria estatueta do Oscar.

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Depois de quase um século de história, o prêmio distinguirá pela primeira vez, no domingo, esses especialistas, responsáveis em grande parte pela alquimia que ocorre no set.

Entre os indicados está o brasileiro Gabriel Domingues, reconhecido por seu trabalho em "O Agente Secreto", que reconstrói o Brasil dos anos 1970 sob a ditadura militar. Para o filme, Domingues selecionou vários atores desconhecidos, buscando compor um elenco capaz de retratar com autenticidade o período histórico.

A função do diretor de elenco é considerada crucial para o sucesso de um filme, assim como o roteiro ou o figurino, categorias que há décadas recebem reconhecimento no Oscar.

Indicada por "Hamnet", a britânica Nina Gold afirmou que espera que o novo prêmio ajude o público a compreender melhor a dimensão criativa da profissão.

"Espero que as pessoas vejam que o casting é um trabalho realmente criativo", disse à AFP a profissional, que tem mais de 30 anos de experiência.

Segundo Gold, sua contribuição aparece refletida no trabalho de outros artistas, o que torna mais difícil medir diretamente o impacto de sua atuação.

Em "Hamnet", por exemplo, ela sugeriu Jessie Buckley, favorita ao Oscar de Melhor Atriz, para interpretar Agnes, esposa de William Shakespeare, e garantiu que Paul Mescal, no papel do dramaturgo, formasse um par convincente com a atriz.

- "Ser um terapeuta" -

O diretor de elenco é uma das principais forças criativas na concepção de um filme, afirma Juliet Taylor, de 80 anos, que recebeu um Oscar honorário por sua trajetória.

Taylor trabalhou em produções como "O Exorcista" e "Taxi Driver" e foi responsável por dar alguns dos primeiros papéis a atores que mais tarde venceriam o Oscar, como Meryl Streep e Joaquin Phoenix.

A partir da leitura do roteiro, cabe a esse profissional captar a visão artística do cineasta e sugerir os intérpretes mais adequados.

"É um pouco como ser um terapeuta. Você precisa aprender a apreciar realmente as pessoas pelo que são, goste delas ou não", disse Taylor.

Para isso, os diretores de elenco se apoiam em amplo conhecimento de cinema e teatro e organizam testes presenciais ou por vídeo. Em alguns casos, os atores são encontrados fora dos circuitos tradicionais.

Foi assim que Cassandra Kulukundis, indicada por "Uma Batalha Após a Outra", recrutou figurantes para interpretar imigrantes no filme de Paul Thomas Anderson.

A chegada da internet também ampliou as possibilidades de seleção, explicou Francine Maisler, indicada pelo casting de "Pecadores".

Ela organizou uma convocatória mundial que terminou com a escolha de Miles Caton, músico de Nova York que estava em turnê com a cantora H.E.R.

"Era inegável o quanto ele era especial", disse Maisler.

- Alternativas -

Para Maisler, que trabalhou com cineastas como Denis Villeneuve, Greta Gerwig e Alejandro González Iñárritu, o diretor de elenco também precisa orientar o cineasta de forma sutil.

Se o diretor não concorda com a escolha de um ator, cabe a esse profissional sugerir alternativas sem gerar conflitos, sempre em benefício do filme.

Esse trabalho colaborativo ganhou dimensão artística a partir da década de 1960 com pioneiras como Marion Dougherty, que descobriu atores como James Dean e Dustin Hoffman.

Antes dela, a escolha do elenco era vista basicamente como uma função administrativa.

Depois disso, "muitas mulheres entraram na profissão", lembrou Taylor.

"Talvez seja por isso que durante muito tempo não foi bem remunerada nem reconhecida", afirmou.

W.Maile--HStB