Filipinos comparecem em massa à procissão de Sexta-feira Santa, apesar de alta do combustível
Centenas de filipinos e turistas compareceram em massa, nesta Sexta-feira Santa (3), a um campo ao norte de Manila para assistir, sob sol escaldante, a uma das manifestações de fervor religioso mais sangrentas do país: a encenação da crucificação de Jesus Cristo.
Este ano, os fiéis do país asiático de maioria católica não se deixaram intimidar pelo aumento dos preços dos combustíveis causado pela guerra no Oriente Médio e compareceram a um espetáculo que costuma atrair até 12.000 visitantes locais e estrangeiros.
Dezenas de flagelantes com o torso nu e rosto coberto caminharam descalços pelas ruas da cidade de San Fernando, na província de Pampanga, enquanto golpeavam as costas com chicotes de bambu.
Jornalistas da AFP observaram devotos perfurando a pele com fragmentos de vidro presos a uma pequena palheta de madeira para garantir que sangrassem durante a cerimônia, uma forma de expiar os pecados e pedir milagres.
"Faço isto para rezar pela cura de meu bebê de sete meses, que sofre de pneumonia", disse à AFP John David, com o chicote na mão, no início da procissão.
"Meu avô começou com isto, depois meu pai, e agora é a minha vez", afirmou o homem de 49 anos, contando que ao longo dos anos testemunhou "milagres de cura graças a este ato de fé".
- "Experiência de devoção" -
Muitos participantes dirigiram durante horas para testemunhar o clímax da encenação, no qual alguns devotos permitem que se preguem cravos de sete centímetros em suas mãos antes de serem içados na vertical, sobre cruzes.
Ricky Margate, de 57 anos, disse à AFP que este ano chegou ao local de motocicleta em vez de carro porque assim consome menos gasolina. "Acho que os altos preços dos combustíveis que tenho de pagar para estar aqui são apenas parte dos meus sacrifícios nesta Semana Santa", contou à AFP.
Os preços da gasolina atingiram níveis históricos no país desde que os Estados Unidos e Israel desencadearam sua guerra contra o Irã há mais de um mês, o que levou o presidente Ferdinand Marcos a declarar, na semana passada, uma "emergência energética nacional".
A empresária Gina Villanueva contou que dirigiu 70 quilômetros a partir de Manila para "viver em primeira pessoa esta experiência de devoção". "(Rezo) pela boa saúde e também para que os preços dos combustíveis baixem, porque muitos já estão sofrendo", afirmou a mulher de 42 anos.
A vendedora de doces Mhekyle Salazar, de 22 anos, explicou que se sentia aliviada por os peregrinos estarem chegando apesar do aumento nos custos de transporte.
"Suponho que os preços dos combustíveis não conseguem competir com a força da nossa fé e da nossa tradição", disse à AFP.
O.Wailani--HStB