Honolulu Star Bulletin - Peruanos elegem novo presidente para conter crime em eleição marcada por atrasos

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Peruanos elegem novo presidente para conter crime em eleição marcada por atrasos

Peruanos elegem novo presidente para conter crime em eleição marcada por atrasos

Os peruanos, em um clima de exaustão diante do crime e da instabilidade política, elegem neste domingo (12) um novo presidente entre 35 candidatos, em um pleito marcado por atrasos na abertura de algumas seções eleitorais que obrigaram a estender os horários de votação.

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O Peru, com voto obrigatório, teve oito presidentes desde 2016, metade deles destituídos por um parlamento que concentra a rejeição da população.

A jornada começou às 07h00 locais (09h00 de Brasília), mas vários locais de votação da capital ainda permanecem fechados, enquanto centenas de eleitores formam filas e alguns denunciam uma suposta fraude em meio a um clima quente e úmido.

"Há idosos, pessoas que vieram com seus bebês nos braços, e não abriram as seções", disse, indignada, à AFP a eleitora Elva Ramos, de 49 anos, no turístico distrito de Miraflores.

A autoridade eleitoral ampliou em uma hora o prazo para votar, até as 18h00 locais (20h00 de Brasília).

Boa parte dos peruanos não confia em seus políticos, a quem responsabilizam pela pior onda de criminalidade desde o conflito do Estado peruano com a guerrilha maoísta Sendero Luminoso (1980-2000).

"Está tudo péssimo. A criminalidade nos dominou e praticamente já acabou conosco", disse Raúl Cabana, operário de 45 anos, que votou perto do centro de Lima.

Entre 2018 e 2025, os homicídios dobraram e as extorsões se multiplicaram por oito. A principal preocupação dos peruanos é a violência, que coincide com a chegada de grupos criminosos estrangeiros, em guerra com os locais. Os discursos de campanha se concentraram em combatê-los com mão de ferro.

As pesquisas preveem uma disputa acirrada entre candidatos majoritariamente de direita, liderados por Keiko Fujimori, filha do falecido ex-presidente autocrata Alberto Fujimori (1990-2000).

Vários candidatos apostam em medidas radicais, como prisões cercadas por serpentes, recompensas por matar criminosos ou retirar o país da jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

- Sem opções -

Os eleitores "chegam muito incrédulos, muito inseguros, sem fé na política, sem reconhecer lideranças sólidas que orientem o voto", diz o sociólogo David Sulmont.

As preferências estão distribuídas entre sete candidaturas com chances de avançar para um segundo turno em junho. Nenhuma supera 15% das intenções de voto.

Em entrevista à AFP na véspera da eleição, Fujimori prometeu expulsar imigrantes irregulares, atrair investimentos dos Estados Unidos e se juntar ao bloco de governos de direita da região, que cresce com o apoio de Donald Trump.

Ela é seguida de perto pelo empresário centrista Ricardo Belmont, pelo outsider populista Carlos Álvarez, pelo milionário Rafael López Aliaga e pelos esquerdistas Roberto Sánchez, Alfonso López Chau e Jorge Nieto.

Em 2021, o esquerdista Pedro Castillo (2021-2022) chegou de surpresa à presidência, apesar de aparecer em sétimo lugar nas pesquisas uma semana antes do primeiro turno.

No domingo passado, ainda havia 16% de indecisos e outros 11% que pretendiam não votar em ninguém, segundo a Ipsos.

- "Não há esperança" -

Os candidatos começaram o dia com cafés da manhã transmitidos pela televisão, cercados por suas equipes e apoiadores, uma tradição eleitoral no Peru.

"Eu, como gestor, não estou acostumado à burocracia", disse neste domingo López Aliaga, que se comprometeu a aumentar o orçamento para os mais pobres. "Eu primeiro faço e depois peço permissão", afirmou.

Os eleitores enfrentam uma cédula de 44 centímetros de comprimento, na qual também marcam, pela primeira vez desde 1990, deputados e senadores, já que o país restabelecerá em julho um parlamento bicameral.

Para Sulmont, "há uma grande desconexão entre a oferta política e as expectativas das pessoas".

"Nenhuma das candidaturas desperta grande entusiasmo", afirma.

Mais de 90% dos peruanos têm "pouca" ou "nenhuma confiança" em seu governo e em seu parlamento, a taxa mais alta da América Latina, segundo a pesquisa regional Latinobarómetro.

"Não há esperança, com tantas coisas que aconteceram. Não tenho um candidato", diz Luis Peña, um engraxate de 55 anos.

Mas, apesar de seus problemas, o Peru se destaca como uma das economias mais estáveis da região, com a inflação mais baixa e exportações minerais em expansão.

G.Lanakila--HStB