De la Espriella: um milionário pró-Trump na Presidência da Colômbia
Excêntrico, falastrão e milionário, o advogado Abelardo de la Espriella assume nesta sexta-feira (7) como novo presidente da Colômbia. "El Tigre", como se autodenomina, tirou a esquerda do poder com um discurso antissistema e a promessa de subjugar o narcotráfico fortalecido.
Aos 48 anos, o outsider apoiado por Donald Trump deixou para trás uma vida luxuosa na Itália para se lançar pela primeira vez na política - e venceu.
Em um segundo turno apertado, derrotou o senador Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, que deixa o cargo após ter sido o primeiro governante de esquerda da história da Colômbia.
"A horrível noite está chegando ao fim. A democracia falou nas urnas e decidiu que a Colômbia volte a ter autoridade, ordem e esperança", disse dias antes de sua posse esse advogado conhecido por defender paramilitares, narcotraficantes, políticos corruptos e estrelas do futebol.
- "Um povo que não se ajoelha" -
Caribenho, ultradireitista e católico praticante, ele canaliza o descontentamento de parte do país com os partidos tradicionais, a esquerda e a insegurança.
Em eventos embalados por fogos de artifício e rugidos de tigre, jurou "reconstruir a República" e defender a democracia "pela razão ou pela força".
Depois de derrotar a direita tradicional, adotou um discurso antissistema: "A toda essa máfia que desgoverna a Colômbia eu digo: aqui há uma alcateia, há um povo que não se ajoelha e que veio enfrentá-los" e "castigá-los".
Convencido de que transformará o Estado em uma empresa próspera, inspira-se nos presidentes Javier Milei, Nayib Bukele e Donald Trump.
Cantor de ópera amador, costuma vestir ternos impecáveis sem gravata e mocassins. Também usa a camisa amarela da seleção colombiana de futebol, à maneira do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante a campanha presidencial, foi criticado por declarações consideradas machistas e homofóbicas, que, no entanto, não afetaram sua popularidade.
- A "dolce vita" -
Com dupla nacionalidade, colombiana e americana, ele é alvo de frequentes questionamentos sobre seus antigos vínculos como advogado e sobre a origem de sua fortuna.
Antes de concorrer à Presidência, exibia nas redes sociais viagens em jatinhos particulares, ternos sob medida, chapéus e óculos de luxo.
"Não sou um vendedor de ilusões, sou um empresário de realidades", disse à AFP durante a campanha.
Ele circula protegido por dezenas de soldados, policiais e seguranças particulares após denunciar ameaças de morte.
Pai de quatro filhos, afirma que tem "culhões" para governar com "mão de ferro" o país que mais produz cocaína no mundo e que enfrenta um conflito armado há mais de seis décadas.
"No meu governo, bandido que não se submeter (à Justiça) será abatido", afirmou. Para combater as máfias, pretende firmar uma aliança militar com os Estados Unidos e Israel.
Ele aposta no fim do tribunal criado pelo acordo de paz firmado com a guerrilha das Farc em 2016, responsável por julgar os crimes mais graves do conflito armado.
Afirma que vivia a dolce vita em Florença e que disputar a Presidência foi um "sacrifício" pela "pátria".
- "Firmes pela pátria" -
Seu jeito irreverente de falar já lhe trouxe problemas. Em certa ocasião, afirmou que era preciso "estripar" a esquerda na Colômbia - declaração pela qual depois pediu desculpas.
Em atos públicos, aparecia representado como um tigre de presas afiadas graças à inteligência artificial.
Nas redes sociais, aparece fumando charutos ou promovendo seus negócios de vinhos e runs. Além disso, possui sua própria marca de roupas, chamada "De la Espriella Style".
Defende o porte de armas, a redução do tamanho do Estado em 40% e quer construir megapresídios nos quais os presos fiquem "dez andares abaixo da terra", alimentados "com pão e água".
Embora demonstre desprezo pelos políticos "de sempre", seu gabinete é repleto de figuras conhecidas da direita.
De la Espriella afirma que vive "de acordo com os princípios judaico-cristãos", embora anteriormente se considerasse ateu.
Costuma dizer que vem de uma família de pecuaristas do Caribe colombiano, onde cresceu "à moda de Tom Sawyer", pescando e brincando no campo.
P.Aukai--HStB