STF inicia sessão inédita com Moraes na mira
O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a examinar, nesta terça-feira (15), a possibilidade de investigar um de seus ministros, Alexandre de Moraes, por supostos vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude, em meio a uma crise sem precedentes que ofuscou a campanha presidencial.
O próprio Moraes, que presidiu o julgamento que, em 2025, resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado, participa da sessão plenária, transmitida ao vivo pela televisão e no YouTube.
A crise está ligada ao escândalo do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, cujas conexões duvidosas com o poder envolveram ministros, deputados e até mesmo o candidato presidencial e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rival do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro.
Dentro do STF, o caso Master, referente ao banco de Vorcaro que foi liquidado após uma mega fraude contra seus clientes, desencadeou um conflito interno sem precedentes.
O ministro André Mendonça ordenou a liberação de um relatório policial que revelava mensagens de Vorcaro para um número atribuído a Alexandre de Moraes, solicitando ajuda na investigação contra ele.
Moraes, por sua vez, denunciou Mendonça, nomeado por Jair Bolsonaro durante sua presidência, por suposto abuso de autoridade.
A investigação foi "deliberadamente direcionada" por Mendonça para "montar uma verdadeira farsa incriminatória com finalidade político-eleitoral", acusou Moraes em um pedido de anulação do processo, enviado ao presidente do tribunal, Edson Fachin.
Fachin, nomeado em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff (PT), sucessora política de Lula, convocou os ministros a examinar a validade do relatório policial e decidir se abrirá uma investigação contra Moraes.
A segurança no Supremo em Brasília foi fortemente reforçada com drones, policiais armados, cães farejadores de explosivos e até um helicóptero que sobrevoa a área.
Sóstenes Cavalcante, líder do Partido Liberal de Bolsonaro na Câmara dos Deputados, afirmou na segunda-feira que a sessão plenária é mais importante do que uma final de Copa do Mundo, confiante de que os ministros tomarão medidas contra Moraes.
A crise monopolizou a campanha eleitoral antes do primeiro turno, em 4 de outubro.
Lula pediu transparência para que os culpados sejam responsabilizados, enquanto Flávio Bolsonaro criticou Moraes.
O senador e filho do ex-presidente está sendo investigado por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro no financiamento de um filme sobre seu pai, para o qual recebeu dinheiro do próprio Vorcaro.
Y.Kapu--HStB