Honolulu Star Bulletin - França mobiliza amplo esquema de segurança diante de novo dia de protestos

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França mobiliza amplo esquema de segurança diante de novo dia de protestos
França mobiliza amplo esquema de segurança diante de novo dia de protestos / foto: Thomas SAMSON - AFP

França mobiliza amplo esquema de segurança diante de novo dia de protestos

Com um discurso alarmista e um aparato de segurança "excepcional", as autoridades francesas se preparam para uma nova jornada de mobilizações contra o alto custo de vida, prevista para este sábado (31), coincidindo com as celebrações de Halloween.

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Diante de um dia classificado como de "risco muito elevado", duas semanas após os distúrbios de 17 de outubro, o governo mobilizará cerca de 70 mil policiais e gendarmes e reforçará diversas medidas de prevenção e controle.

"Episódios de violência urbana comparáveis aos de 17 de outubro são esperados ao longo de todo o sábado” e “a partir do anoitecer", alertou na sexta-feira o entorno do ministro do Interior, Laurent Nuñez.

Entre 550 mil e 800 mil pessoas, segundo estimativas, participaram das manifestações de 17 de outubro, marcadas por cenas de caos, saques a estabelecimentos comerciais, incêndios em prédios públicos e confrontos com as forças de segurança.

Diante dos "numerosos apelos ao saqueio registrados nas redes sociais", o ministro do Interior já havia afirmado na quinta-feira que o esquema de proteção ao comércio adotado em 24 de outubro seria "renovado e reforçado". Também advertiu para um "risco muito elevado de perturbações da ordem pública".

- Manifestação autorizada em Paris -

Para este sábado, foram registradas 350 ações de protesto que podem reunir entre 350 mil e 450 mil pessoas no total, informou uma fonte policial. Outra fonte ouvida pela AFP chegou a mencionar um "clima pré-insurrecional".

Foram autorizadas apenas manifestações afastadas dos centros urbanos. Em Paris, o trajeto aprovado é o proposto pela autoridade policial, entre a Porte de Bagnolet e a Porte de Charenton, na periferia da capital.

A polícia parisiense também proibiu outros percursos previstos para o dia.

"Há tensão e temores renovados entre os comerciantes", declarou à AFP a Aliança do Comércio, entidade que representa grandes redes varejistas e estabelecimentos do centro da cidade.

Já a rede de Câmaras de Comércio e Indústria da França (CCI France) lembrou que, dos 2.500 estabelecimentos afetados pelos distúrbios, 600 ainda não reabriram.

Na sexta-feira, vários comércios reforçavam suas medidas de proteção, especialmente nos arredores do bairro da Ópera de Paris, constatou um fotógrafo da AFP.

Mais de mil agentes municipais estarão mobilizados durante o fim de semana para "garantir a recuperação do espaço público", informou a Prefeitura de Paris, que afirmou ter retirado elementos urbanos que poderiam ser usados para provocar danos.

Também foi decretado um novo toque de recolher em determinados setores de Paris para as noites de sábado para domingo e de domingo para segunda-feira (2), entre 23h e 6h, medida que vem sendo adotada em diversas cidades francesas nos últimos dias.

- Contra o alto custo de vida -

Em Bordeaux, no sudoeste do país, a autoridade policial autorizou a manifestação, ao contrário da semana anterior, embora preveja um dia "difícil" e possíveis "ações violentas". A prefeitura municipal manifestou preocupação com um trajeto "muito próximo do centro urbano".

Em Lyon, a polícia deu luz verde para uma marcha afastada da região central, que ainda apresenta marcas dos distúrbios de 17 de outubro, quando um prédio do órgão de turismo foi incendiado.

Em Marselha, apenas manifestações previamente declaradas serão permitidas. Em Rennes, um protesto foi proibido por falta de acordo entre autoridades e sindicatos organizadores sobre o trajeto.

Esta terceira jornada de mobilização contra o alto custo de vida ocorre na esteira do movimento estudantil do ensino médio.

Desde meados de setembro, diversos manifestantes, incluindo menores de idade, ficaram gravemente feridos ou sofreram mutilações durante operações de manutenção da ordem. Segundo o Ministério do Interior, 1.193 policiais e gendarmes também ficaram feridos.

E.Lokelani--HStB